O ÚLTIMO RAIO DE SOL
Álgida, fria
Justapostas as mãos em louvor
Derramando seu olhar à minha dor
Marmóreo, o busto de Maria…
Rogo em oração e novenas…
Eras antes, homens suplicavam à Afrodite
Pela beleza - Augusto corpo de Nefertite
Sonhavam gregos com Pequenas Helenas!
Ria-se Dioniso entre mil carícias
Riam suas amas à mesa do festim
Chamavam - Lascivos lábios carmesim
[E zombavam]
- Não encontrarás no céu as delícias!
Como Orfeu, busca além das esferas
Seja ela Deusa ou Mortal…
Quem julgará o bem e o mal
Quem lhe contará as primaveras?
Apontei aquela que tão nova partiu
Sem o beijo Nazareno da ressurreição…
[E desci, para onde Hades é Rei]
Estendeu o barqueiro sua mão
Uma moeda! E ao som da lira ela sorriu!
Grécia! Mais bela será tua aurora!
Hoje o Lírio não chora
Mas a rosa há de invejar o perfume…
Há de espiar o Sol Poente à janela
E cheio de júbilo aos olhos dela
[Rogou, como luz que se apaga]
- Afortumadas opalas! Leva de mim o último lume!
(Dedicado à Karen)
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Observação
O texto remete à Orfeu, que segundo a mitologia, desceu ao mundo inferior em busca de sua amada (Eurídice)
1 - “o barqueiro” - Se refere à Caronte, barqueiro que faz a travessia entre o mundo dos vivos e dos mortos
2 - “o Lírio” - Se refere à menina resgatada por Orfeu
3 - “opalas” - Termo muito comum na poesia, usado para se referir aos olhos
André da Costa
Enviado por André da Costa em 10/08/2026
Alterado em 11/08/2026