TUA CARTA CIFRADA EM VERSOS
Não se admire se um dia
O sol demorar a partir
O colibri se aproximar… E pedir
O mesmo beijo que via…
… À alvorada, em cada rosa…
Confidentes, francas
As rosas brancas
Sussurrando em prosa…
… Perguntavam sobre ti
Sobre esse azul que não é céu
As formas ao véu
E o pecado em que caí…
Mais grave talvez
Que o beijo e o toque
Laço de fita, moreno o coque
Ruborizada a tez…
[Como a rosa branca que cora]
Ah! Chorai, se quiserem!
Lágrimas aprisionadas, as que mais ferem
Minha dor reclama pra’além dos lábios…
Escreve uma carta, haverá quem entenda
Os versos, candeeiro nessa senda
Hei de tomar-te onde caem, os sábios!
"Por que prender a palavra ao papiro
Se por tua voz
Poderá voar, em versos?"
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Observação
1 - “reclama” - No texto, está no sentido de “reinvindica”, “exige”
2 - "Perguntavam sobre ti" - Se refere à menina que escreveu a carta ao homem (a que despertou o ciúme da rosa)
3 - "azul que não é céu" - Se refere aos olhos da menina
André da Costa
Enviado por André da Costa em 29/06/2026
Alterado em 30/06/2026