ESPELHO D'ÁGUA
Cala! Teus suspiros e ais!
Vê com olhos silentes
Que velam os desejos ardentes…
O dedo da calúnia já sabe demais!
Mas como, ao azul celeste
Calar tal júbilo - Meu brado!
Quem fez do gáudio o pecado?
Conta, vento do leste…
Fala do perfume
Dizia que visitavas a rosa!
Mentira! Sei de tua prosa
Vinha como brisa ao primeiro lume…
…Roubava dela um toque no rosto
Quando inda havia pureza
Poucas primaveras - No olhar a alteza
Roubastes um beijo... Fala do gosto!
Iguais são os rubis
Isolda, Helena, Beatriz…
Não me sussurre o nome!
Ai dos que temem o mar bravio…
Caí ao espelho d'água - Este pequeno rio
Arroio que não me chega ao abdome!
(Poema dedicado aos que tombaram, absortos ao rio, esquecidos do mar…)
=========
Observação
1 - “azul celeste” - No texto, se refere aos olhos da menina
2 - “vento do leste” - Se refere ao vento, que interage com a menina, através do toque
3 - “alteza”- No texto, está no sentido de “grandeza”
4 - “arroio” - Aqui o texto faz uma simbologia entre o “mar bravio”, que simboliza "as mulheres", e um “arroio” - pequeno riacho - que simboliza a menina
André da Costa
Enviado por André da Costa em 25/05/2026
Alterado em 25/05/2026