O BEIJO À SOMBRA DO ALTAR
Nas tardes de outono
Enquanto as folhas lá fora
Pegavam carona com o vento - Dita hora
Ouvia o riso infanto, distante, sem dono…
Oscilava, a brisa
Entre o mar e a areia
Entre o riso da menina e a sereia…
Entre o beijo do mar e os lábios de Elisa!
Murmurava… O lamento de Prometeu!
Preso à corrente do escapulário ao peito
De sonhos lascivos ao leito…
No romper da aurora, a ausência - O apogeu!
Alba! Traz junto à brisa o perfume
Não é flor!
Ri Afrodite de minha dor...
Os lábios, lembram os de Elisa ao lume!
Afastai as palmeiras
Concede, luz das horas primeiras,
A beleza - Além da flor e da libélula!
Como gregas e troianas, porém franzina
Quem viu nos olhos a altivez da Czarina?
Presenciou o beijo, Têmis - Incrédula!
(Dedicado à cantora russa Yasya, a Czarina)
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Observação
1 - “Prometeu” - Segundo a mitologia grega, foi acorrentado por Zeus ao topo do Monte Cáucaso
2 - “Não é flor” - A afirmação se refere ao perfume, que não era das flores, e sim de Elisa
3 - “Têmis” - Deusa grega da justiça e da ordem
André da Costa
Enviado por André da Costa em 10/05/2026
Alterado em 11/05/2026