LEDA
Abri-vos os ramos, arvoredos!
Que a ramagem abrace a menina…
A teus pés anda a serafina
Esquecida das angústias e dos medos…
Sonhava, campos primaveris
Céu sempre anil
E junto a Pequenas Helenas, o riso pueril
O louro da Magestade, ela nunca quis!
Pequena pegada em barro moldado
Relíquia defendida pela vereda
Como se o passar de Leda
Fosse esperança a um beijo negado!
Ela há de voltar, ouvia! - Ó jura treda!
Afastai-vos, no entanto!
Na relva escutarei o canto
Daquela que leva ao rosto o véu de seda!
Disse a brisa - Toquei a tez e o lábio!
E como age o prudente e o sábio
Guardou silêncio, compadecida…
Tantas primaveras
Chorava Leda em infindas esperas!
Ergue-te, toma-lhe a mão! - Vê
Inda nos olhos tua menina, nunca esquecida!
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"O tempo nunca há de roubar
a juventude escondida nos olhos"
André da Costa
Enviado por André da Costa em 03/05/2026