UM OLHAR QUE LUZIU
Levantai do busto o véu!
Erigida a escultura
Nunca saberá Afrodite, da ventura
Com que Donatello regia o cinzel!
Toma o pincel, a tela e desenha
O rosto dela sorrindo!
Vejo bruma alta cobrindo
Talvez hoje, o sol não venha…
Há de ser a luz do lampadário
A iluminar a nuance
Ou talvez a luz da vela dance
Junto a flor no relicário!
Vejo no olhar… A ferocidade da leoa
Mudo - Inda assim condena!
A lembrança de uma cena
A mesma mão que afaga não perdoa!
D'alva, confidente de minhas juras
Dos beijos e das ruas escuras
Hás de fingir que não viu…
Aos que perguntarem, vinda a alvorada
Diz que os arquejos fora o vento na estrada
E o brilho que não era teu - Um olhar que luziu!
(Dedicado à menina que carregava nos olhos o brilho das estrelas)
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Observação
1 - “D'alva” - Forma carinhosa com que o homem se referia a “Estrela D'alva”
2 - “Um olhar que luziu” - Se refere ao brilho no olhar da menina, que disputava com a Estrela D’alva a atenção do homem
André da Costa
Enviado por André da Costa em 27/04/2026
Alterado em 28/04/2026