DEIXAI DA FLOR, O REBENTO
Ousei
Busquei o olhar
Sem me importar
O que falavam - Hoje, bem o sei…
Cantado em odes, nas trovas
Falavam nas pinturas…
Homens que escondiam as rasuras
De juras à faces tão novas!
Ah irmão das dores!
Se me visitas ao nascer do sol
Canta o choro do rouxinol
Que viu do alto gemas de todas as cores…
Vinde, os olhos de Beatrizes e Helenas
Azuis, verdes, cor de avelã
Vinde junto à luz da manhã…
Haverá júbilo pelo raiar, e paz nas arenas!
Leio e releio estes versos
Mas os lábios rubros - Perversos
Guardam o beijo como tormento…
…Por ter, como Perceu, ousado!
Ah corcel alado
Leva a Valquíria, mas deixa da flor um rebento!
(Dedicado a cantora russa Yasya)
=========
Observação
1 - “gemas” - No texto, se refere aos olhos vistos do alto, pelo rouxinol
2 - “corcel alado” - Na mitologia, se refere ao cavalo místico usado pelas Valquírias
3 - “da flor um rebento” - Se refere a um filho ou filha. No texto, se refere a deixar uma filha
André da Costa
Enviado por André da Costa em 19/04/2026
Alterado em 20/04/2026