O BEIJO DA MOCIDADE
Ei-lo! Inda recebe a alma cansada
Oferecendo conforto e repouso…
Tantas vezes meu pouso
E nunca lhe dei nada!
Quantas vezes os ramos, verdejante regaço
Cobriram o sol!
E chegando a noite - Rubro arrebol
Velavam dos anjos o beijo e o abraço!
De longe os acenos
Atrás de ti ela se escondia…
E me avisavas! Uma folha caía
Pairava apontando - Eis tua Vênus!
Quantas primaveras!
E com elas, nas vinhas,
Bebia o ébrio a falar das andorinhas
Que sempre voltam! - Afirmava, deveras!
E numa tarde de outono
Revivendo lembranças, algumas sem dono
Fui deitar-me no berço da saudade…
…E recostado ao tronco do carvalho
Vi o nome escrito, traçado o entalho
Lembrando as andorinhas e ali, o beijo da mocidade!
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Observação
1 - “lembranças, algumas sem dono” - Se refere às lembranças perdidas, na desesperança de corações outros… Deixai que eu as reviva por ti!
2 - “beijo da mocidade” - Se refere ao beijo da “Vênus” citada no texto, a menina que se foi na primavera, junto às andorinhas…
André da Costa
Enviado por André da Costa em 08/03/2026
Alterado em 11/03/2026