AVE PEREGRINA
Onde vais ave peregrina?
Fala de tua romaria…
Das tardes de calmaria
E porque não, da dor que ensina!
És sábia! O que teus olhos não viram?
Que segredos lhe escapam…
Mesmo linhos e véus que enlacam
Adejam ao vento, e a poetas inspiram!
Permita-me ser teu confidente…
A tinta e a pena não mentem
Por quem, os ardores que sentem
Escritos em versos, lábio silente?
Tu, que tocas o céu e inda busca
Se sou indigno, leva meu rogo!
Dizem que o que buscas cheira a novo…
Aroma primaveril e olhar púbere que ofusca!
Haverá de Afrodite canção que console?
Ébrio, entre a esperança e o gole
Teus arpejos anunciam dita ou desventuras?
Ah herdeiro do céu! Viste, bem o sei, azul mais belo…
A herança deixo a ti, mas a pupila, a quero!
Brilhou tanto à teus olhos que tombou das alturas!
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Observação
1 - “herdeiro do céu” - Se refere à ave peregrina
2 - “a herança” - Se refere ao céu, o voo, herança confiada aos pássaros
3 - “pupila” - Se refere aos olhos da menina, cujo pássaro, extasiado, viu do céu
4 - "tombou das alturas" - Se refere ao pássaro, que ao ver do alto os olhos da menina, mergulhou
André da Costa
Enviado por André da Costa em 18/01/2026
Alterado em 18/01/2026