APENAS TU, LÁ FORA
Jogo as mãos para o céu
Azul, hoje, núbio
Em meu despertar há júbilo
Trazei a tela, o pincel!
Ora direis - “É só mais um dia…”
Não viste amigo, ao solar do castelo
O primeiro lúmen - Alvor mais belo
Iluminando formas que o véu despia!
Ah candeeiro… Não será tua fatícia luz!
Como não será meu toque
Nem mesmo ao afresco o retoque
Há de ser o desejo minha sina, minha cruz!
Meça meu pesar aquele que um dia
Viu desse azul que não era o céu!
Ó desventura de Abel
Tombou sonhando com ela, todavia…
Deixai a pétala brincar ao vento
Recordando o afago cadenciado e lento
Talvez a ventura do beijo, que ninguém viu…
Se foram sonhos, levados na brisa primeira
Quem lá fora, peregrina qual ave romeira
Com a graça roubada da meninice, suspirou e riu?
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Observação
1 - "Abel" - Remete à história bíblica de Caim e Abel
2 - "pétala" - Se refere simbolicamente à menina
André da Costa
Enviado por André da Costa em 08/12/2025
Alterado em 09/12/2025