A INFINITUDE DOS VERSOS
Ah, Orfeu
Teu Monólogo, o apogeu!
Reclama a poesia infinitude!
Ai de mim, poeira ao vento… Não pude!
Talvez a palavra não dita…
Se no silêncio um sol sem fim crepita
Talvez se eternize a poesia, nos olhos que a leem
No desejo proibido, nos que ainda creem!
Ei-la! Muda, mas declama
Impiedosa, no silêncio ri do drama…
Largam os poetas, ante a cena,
O tinteiro e a pena…
E entre o assombro e o suspiro
Rasgam a folha, o papiro…
Num gesto teu, o véu despindo
As formas - E nos olhos, o verso infindo!
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(Há mais poesia nos olhos do que nas folhas rasuradas)
André da Costa
Enviado por André da Costa em 23/11/2025
Alterado em 23/11/2025