AS HORAS PRIMEIRAS
Se tu cantas
Canta baixinho
Num sussurro, sob o linho
Como oram as beatas, santas!
E se sonhas
Guardai o suspiro
Velarei do papiro
Tempestades, das primaveras risonhas!
Teus olhos mentem
O beijo, o toque…
No afresco, o retoque
Acalmando lábios que consentem!
Abre o postigo!
O pomar lá fora reclama
Seja teu laurel a rama
As formas venustas, meu castigo!
Toma o xale, o véu, a taça de vinho
A Vênus nega o linho
Fazendo dos lábios o sabor das videiras!
Mais que Troianas, ó mulheres de Atenas!
Jamais foram o palco, nunca plenas…
Hás de ser alvorada, a delícia das horas primeiras!
(Poema dedicado a cantora Melody)
André da Costa
Enviado por André da Costa em 10/11/2025
Alterado em 11/11/2025