Andre Costa
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O ÚNICO VERSO
Campos, vales, veredas
Abri-vos os ramos arvoredos!
A boca que beija - Meus sonhos tredos
Suspirou na volúpia de gabosas Ledas…

… E desse hálito fiz meu alarido
Como quem inebria do vinho
Rasga o estofo, teu vestido de linho
Mitigando a culpa num verso proibido!

Dizei se o frêmito na mão que acusa
Revela volúpia ou candura…
Dizei se no afresco - Infanto e pura
Escondeu da Vince a alma venusa!

Uma gota de orvalho…
Junto, a lágrima d'um Querubim
No rosto dela um enrubescer carmesim
Meu verso, apenas um tredo retalho!

Leve sorriso da Mona Lisa
Muda, nos contornos das formas és poetisa
O toque dos lábios, único verso!

Há de ser, doravante, tinteiro e pena
Proibidos no versejar da pele morena
E os olhos que se buscam, linguagem una do Universo!

                  (Poema dedicado a Karishma)

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Observação
1 - "Ledas" - Faz referência às grandes mulheres da mitologia, como Leda, a rainha de Esparta
2 - “venusa” - Faz referência a Vênus, Deusa romana do amor e da beleza
3 - “tinteiro e pena” - Se refere ao instrumento de escrita, muito usado na antiguidade
André da Costa
Enviado por André da Costa em 20/10/2025
Alterado em 21/10/2025
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