O PERDÃO DOS LÁBIOS RUBROS
Indefinido, abstrato
Paira a bruma, a incerteza
Essa inocência, a leveza…
Decifrai nas runas, se sábio ou literato!
Pura, como a face que cora e se esconde
Como a saudade que ficou no porto
As lágrimas no horto
A teimosia d'um querer, ao olhar que não responde!
Ó olhos tristes, erguei o semblante!
Que lampejo roubou a pompa da alvorada?
De sonhadores, poetas, da fé imaculada
Do Beato de olhar perdido e vacilante…
Quantos suspiros em noites turvas
Quantos gemidos em sombras várias
Enquanto as Deusas no Olimpo - Solitárias
Culpam Teus flancos, na luz que delineia as curvas!
Roubei da mocidade todos os segundos
Tuas primaveras, teus mundos
Opimos - Todos os beijos, noites de outubro!
O olhar redefine pecados!
Busquei indulgência nos retratos guardados
Jurei ouvir o perdão, no traçar da tinta ao lábio rubro!
André da Costa
Enviado por André da Costa em 15/09/2025