Andre Costa
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TEU OLHAR AO POSTIGO
Entrevia o olhar, ao horizonte,
Algo assim, como um lúmen a hesitar...
Ó alba!  De quem, este olhar?
A morenice da tez, a candura da fronte!

Vejo, em anelo! Sejam minhas penas breves...
De que terras distantes, abençoada vereda
Brilhou - Não mais que olhos por sob a seda
Pois ao olhar púbere tu não te atreves!

E assim desejei tanto!  Ó Rouxinol, esquece!
Esse verso, essa prosa
A tinta, a caneta na mão ciosa
Tua inspiração, para mim, uma prece...

Já não vejo o azul de outrora...
Que céu, em júbilo
Revelou ao olhar dúbio
Que láurea me oferta hoje, a aurora?

Talvez a Rosa Prematura
Apontam os afrescos nos tons - Tenores, na partitura...
Tredos! Juram falar do céu, mas regozijam nos olhos dela!

Venha! Não hesite um instante
Sobre a mesa já o vinho - Indulto ao amante!
Não verso sobre sol ou sobre céu, mas cantarei o olhar púbere na janela!
                        
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Observação
"cantarei" - No texto está no sentido de "entoarei", "declamarei"
André da Costa
Enviado por André da Costa em 08/09/2025
Alterado em 08/09/2025
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