BRISA PRIMEIRA DA ALVORADA
Roda vento, em torvelinho
Ao pôr do sol, tua ciranda!
Da tez suave e branda
Rouba uma lágrima, antes do linho!
Junto à folha seca
Talvez um trevo desprendido...
Levou-os, Brisa Primeira - Ficando o gemido
Há sentimentos além da tinta e da caneta!
Jamais saberá, nem mesmo a saudade
Que aquele sopro, deleitoso afago
Eram de majestade e dor, o último brado
O beijo da brisa tem gosto da mocidade!
E se me trouxe, a roda-viva,
A folha, o trevo, o pranto
Hei de ornar a tiara do verde, da lágrima - Ode em canto!
Faço dos tesouros suspensos, minha Mona Pensativa
Deixarei essa noite o vinho sobre a mesa
E o espírito, entre pecado e pureza,
Nega a deidade ante a volúpia, teu corpo!
Leva meus versos, a página rasgada lá fora
Diz que são dores de outrora...
Deita-os aos pés da menina, aquela do olhar triste e absorto!
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Observação
"tesouros suspensos" - Se refere à lágrima, a folha e ao trevo, trazidos pelo vento no redemoinho (roda-viva)
André da Costa
Enviado por André da Costa em 25/08/2025
Alterado em 25/08/2025