Andre Costa
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A ENTREGA
Rompe, como astro errante
Dentre infindas, ó lampadário!
O corpo - Voluptuoso santuário
Apogeu e queda que apontava Dante!

Ávido, que ao rogo da razão declina
Tentei!  Onda do mar ao rochedo
O libertino - Alheio ao degredo
Impiedosa foi, a recusa de Justina!

Busco-lhe! Um sorriso... A face orvalhada
Há mais veracidade no que chora!
Mais verdade no rosto que cora
Na palavra esquecida, num tronco talhada!

Ah! Se do hálito se fizesse a bruma
Diáfana, etérea - Daquela taça
E me envolvesse em êxtase e graça,
Me abraçasse, como a onda e a espuma...

Tornariam-se os sonhos deveras verdades
E o dorso e o busto, o dom das deidades
E talvez... Só talvez...

De um acorde se faça a sinfonia
D'um suspiro, o sopro da  poesia
Do corpo, a entrega, a primeira vez!

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Observação
1 - “Justina” - Faz referência à jovem, católica fervorosa, que repeliu as investidas de Cipriano
2 - "Dante" - Se refere a Dante Alighieri
André da Costa
Enviado por André da Costa em 28/07/2025
Alterado em 30/07/2025
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