ETERNIZADO
Escutai! Lá fora a carruagem!
Não me cobra ouro nem prata...
Sabendo de minha paixão ingrata
Ri Cronos, na volúpia do selvagem!
Abri-vos a porta! - Dai-me o que é meu!
Vocifera o Deus, como fera!
- Sei da flor púbere que venera...
Estava escrito! Como profecia de Eliseu!
Malditos braços vis!
Deixai dela uma lembrança
Firma hoje, a aliança
Leva a prata, deixa os olhos primaveris!
Fito a ampulheta, silente
Há tempo ainda! Um retrato
Ou um verso... Fosse artista, versar o ato!
Rompe estrela cadente! Rogo um desejo, o ébrio insolente...
...Guarda dela o sorriso infanto
Tudo que amei... tanto, tanto!
Deixai, Cronos, guardar junto ao peito...
Leva ao pôr do sol mais um ano embora
Mas o retrato, a flor primaveril de outrora
Será láurea eterna d’um eleito!
(Dedicado a Vanessa Gonçalves, a menina do telhado)
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Observação
1 - "Cronos" - Deus do tempo, segundo a mitologia grega
2 - O texto retrata um aniversário, onde Cronos, em sua carruagem, aparece para "levar a juventude", mais um ano da vida de uma menina! O homem então, eterniza seu sorriso, através de um retrato!
André da Costa
Enviado por André da Costa em 15/07/2025
Alterado em 20/07/2025