Andre Costa
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METADE DE MINH’ALMA
Impiedoso vento, que me trouxe o perfume impiedosa chuva que tocou-lhe o rosto
A flor branca, que lhe sentiu o toque...
Impiedoso o sol, que se deita sonhando com Ela!

Sopra oeste, já tombou o sol!
Haverão de confessar, as flores,
Os beijos, a marca rubra nas pétalas...
Há de explicar a rosa branca, o rubor!

Detém o dedilhar da lira
Levem embora o rouxinol!
A joia mais cara, guardei ao relicário
Todo o encanto, roubou-me...

Arvoredos, abri-vos os ramos!
Deixai a lua iluminar - Madona dos desejos -
Ela, a que caminha levando gemidos
De flancos traídos, suspiros roubados!

Aquele olhar, que não é teu Afrodite...
Roubou metade de minh’alma!
A esta Mortal rogo - Levai tudo!
Metade de minh’alma é taça sustida, esperando os lábios que nunca vem!

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Observação
1 - "oeste" - Se refere ao vento que sopra do oeste (em Portugal chamado de Zéfiros)
2 - "Madona" - Está no sentido de "dama", "senhora ilustre"
André da Costa
Enviado por André da Costa em 29/06/2025
Alterado em 30/06/2025
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