DORA
Então, que seja à aurora mais fulgente
A dor do Sol, também a minha!
Confirmava, voo rasante, a andorinha:
- Dora não veio!
Não ouça coração, a ave mente!
Sempre falei das estrelas, dos astros,
A valsa muda ao poente...
Além - Narrei em versos a dança indecente
Corpos em Campos Elísios, imorais, fastos!
Descrevi, infindas páginas, as ramagens
Que dançavam com a volúpia das gueixas...
... E morenas madeixas
Incitando flertes selvagens!
Mas eram tredos! Jamais na tez o afago!
Delírios do vinho, de mais um trago...
A covardia concede ao coração a mora!
Teu rosto, só ao postigo - O retrato!
A voz, doce acorde, sonhos d’um Beato...
Mentem os lábios, jamais beijaram Dora!
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O texto retrata o drama de um homem, que oculta a verdade a seu próprio coração (possível fosse), para que este, "sonhasse e fosse feliz"
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Observação
“mora” – No texto, está no sentido figurado de “prorrogação”, “delonga ou adiamento” da verdade
André da Costa
Enviado por André da Costa em 23/02/2025
Alterado em 24/02/2025