Andre Costa
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O BEIJO DAS BENEDITAS
Raiou! Rasga o véu, abram os postigos!
Ah!  Este canto não é teu rouxinol...
Roubaste-o Dela, Musa do Sol,
Que cantava o alvitre dos antigos!

Ó coração!
Não suportarias as paixões de Homero
Que fugia do desejo austero
Na ode, no verso e na oração!

Canta pois herdeiro do céu
Para a Deusa com ar de menina
Vistosa rosa, a serafina
Que aprisionou Renoir à tinta e Donatello ao cinzel...

... Mas canta Rouxinol, aos montes grisalhos
Às flores - E sua sorte
Ornando a vida e a morte
Canta aos virentes ramalhos...

E que teu canto alce – Tão vastos
A muda dança dos astros
O vazio das palavras não ditas!

Teu pequenino coração, e o meu tão ousado
Pedem carona àquele corcel alado
Que leva a Valkiria ao Valhalla, quiçá a nós, aos beijos das Beneditas!

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Observação
1 – “serafina” – Do latim “seraphinus”, está no sentido de “ardente”, “fogosa”
2 – “Beneditas” – “venturosas”, “belas”, no texto se refere às deusas do Valhalla (Freyja e outras)
André da Costa
Enviado por André da Costa em 17/02/2025
Alterado em 17/02/2025
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